Eis que aqui estou, só como naquela tarde em que te conheci, lembra-se? Certamente deve se lembrar, apesar que sei de que não passo de um feixe de uma lembrança qualquer na sua memória agora.
Engraçado como as pessoas vão tão quanto vieram na nossa vida, você não acha? Ha! Você não acha nada, você não sente. Vive rodeado de pessoas, querendo elas seu bem ou não, e se contenta com isso.
Agora eu, eu vivo só. Eu, que sempre gostei da solidão quando tinha todos ao meu redor, passei a ter medo dela.
Eu, amargurada por saber que penso em você todas as noites antes de dormir, assim como quando passo em lugares que foram nossos num dia qualquer de tédio mútuo, e você, você já não pensa em mim.
E as promessas de que seríamos eternos companheiros se esparramaram como se esparramam as nuvens num dia de sol. Mas hoje não há sol, nem chuva. Hoje só há o grande cinza dentro de mim. Eu, que sou esquecida nesse quarto empoeirado diante ao albúm de fotos que prefiro não abrir.
Difícil aceitar que todas as nossas verdades caem por terra num piscar de olhos, não é mesmo? Assim como o mundo está em constante transformação, as pessoas também estão. E essas mesmas pessoas são as que nos ferem com o adeus não proferido, mas tão bem executado.
Quem dera você tivesse a coragem de olhar nos meus olhos e ver todo o sentimento que já foi devoto a você um dia, e se arrepender. Infelizmente esperanças nunca foram certezas e eu continuarei aqui, até que você se sinta só como eu me sinto agora, e possa entender.