Apanho pedaços do chão, fragmentos dispersos de ti e de mim; memórias que se soltam em frases entrecortadas por sorrisos e olhares que falam sem necessitarem de palavras.
As saudades ficam: dos beijos que não foram trocados, das carícias que não se soltaram.
E tanto que ficou por dizer, por fazer...
Há momentos que são irrepetíveis pela magia que criaram mas outros haverá, necessariamente diferentes e não menos intensos, talvez.
Colo os pedaços, um a um, saboreando o que me trazem. Reconstruo um abraço. De despedida? De boas-vindas? Não importa.
Sigo com o olhar e percorro o meu caminho. Não igual ao teu, mas paralelo...
Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos
lhe tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice, in " Pedro, Lembrando Inês"
ausência dói. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos
lhe tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice, in " Pedro, Lembrando Inês"
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