Não a sentiu se aproximar; abriu os olhos em sobressalto quando ela se sentou ao seu lado.
Mantiveram-se em silêncio, as palavras eram desnecessárias. Olharam o horizonte lado a lado como duas velhas amigas, apesar de desconhecidas até então. A noite aproximava-se a passos largos e, no entanto, nenhuma fez alusão em partir. Estranhamente e sem se moverem, estavam cada vez mais perto uma da outra até que, aos poucos,foram se tornando uma só.

Se por algum acaso alguém passasse naquele momento, veria apenas uma mulher sentada na margem de um rio.

Quando finalmente a escuridão tomou conta do horizonte e a chuva começou a cair, uma delas perguntou:
-Como te chamas?
-Solidão, respondeu a outra…